Você já reparou que, nós sempre, ou quase sempre esperamos muito daquela pessoa que no fim de tudo não faz nada e nos surpreendemos com aquela pessoa de que não esperávamos nada?
Então foi mais ou menos assim, um dia desses quando encontrei alguns amigos meus das antiigas e também os primos desses amigos meus.. HAHA Eu tinha um amigo, que era tipo o capitão do time da escola, todas, todas sem exceção queriam aquele muleque, sim muleque. No entanto, ele era meio lerdão sabe? E ficava sempre na mesma garota feia e nojentinha que ele gostava. Só que ai, tinha o primo dele fofinho, legalzinho, bonitinho, cheirosinho, inteligentezinho.. NÃO! nada disso do que eu disse, tudo totalmente ao contrário D: O menino vivia cheirando a roupa suja, era feio que até dava náuseas, tinha um cabelo opaco e sem vida, era meio corcunda, de tão magro, tinha uma aparelho que só vivia sujo, e era MUITO, mais MUITO inteligente.
O capitão do time, que não era capitão e o primo fofinho que não tinha nada de fofo eram dois seres altamente diferentes, ninguém, nem a professora de religião que gostava de todo mundo gostava daquele menino, e o primo bonitão? Haaa, esse ai era o pop, pop mesmo, sem botar e nem tirar nada, ele se achava, ela bonito, era sim, até demais..fortezinho, pois ainda era novo não tinha músculos de verdade, era cheiroso e bota cheiro nisso, tinha um cabelo lindo! Muito lindo, liso escorrido caindo no olho tipo Troy Bolton haha, castanho claro que ao sol ficava com mechas douradas, olhos azuis como o Oceano Atlântico, branco como leite Parmalat, sorriso lindo, dentes certinhos, olhar pequeno sedutor e muita das vezes misterioso, e eu? É, era apaixonada por ele, por isso sei dessas coisas nos mínimos detalhes (: rs Diferente do seu primo que eu tinha nojo e repulsa. Só tinha. Porém, eu sempre falava com aquele menino, ao mesmo tempo que eu sentia e achava isso tudo dele, eu tinha pena e via que as pessoas são mesmo ruins e só se ligam em aparência, até eu mesma em muita das vezes. Ele soltava um sorriso que até me cativava quando eu perguntava o que estava escrito depois de alguma palavra no quadro, e assim fazia com que eu me redimisse e puxasse mais algum assunto com ele, pois bem. Um dia desses marcamos todos de nos reencontrar num estilo de bar, mais bar descente, não se pode nem chamar de bar, local de reunião de jovens e adultos destinados a beber pouco e não fazer vergonha. ha
Fomos nós, as meninas que eram sempre grudadas na antiga escola juntas, lindas, belas e arrumadas. Chegando lá reconhecemos todos, os mesmos rostinhos daqueles que eram umas pestes, as mesmas carinhas daquelas que eram pré-piriguetes e hoje.. então, cê sabe né. Todos bem cuidados, com os mesmos humores, se apresentando. Todos, menos um. Havia um menino lindo, sentado falando no celular parecendo um pouco preocupado, com um pouco de ansiedade e uma voz meio rouca meio grossa meio em fase de mudança, cabelo castanho médio, liso arrepiado tipo JACOB :9, roupa da moda, tinha estilo o menino, forte, mais não desses fortes que só querem ter músculos e músculos, era forte o suficiente pra te abraçar em uma noite que você esteja precisando de alguém pra te dar aquela forçinha. Ele era perfeito, o destaque de qualquer lugar onde ele parasse, logo quando nos achegamos como sempre já vieram aquelas meninas perguntando desesperadamente, com a fome de caçar: QUEM É ESSE GAROTO? QUEM É? QUEM? QUEM? Eu como toda garota também fiquei me perguntando, rodeando, tentando imaginar de onde conhecia aquele rosto, de onde vinha aquela voz meio rouca, que antes não tinha muito esse tom mais grosso, mais nada, nada vinha em minha mente, ninguém.
Acabado quase todos de se cumprimentar, uns foram para um lado pegar bebida, outros foram na sinuca lembrar velhos tempos de sítios, outros sentaram na mesa onde estavam os objetos de muitos e o menino sozinho. Eu fiquei parada, sem pensar olhando disfarçadamente aquele menino, com minhas amigas que só pra constar estavam um fogo terrível. Ele parou de falar ao celular olhou em sua volta, e com uma cara meia assustada viu o quanto de gente tinha chegado sem ele perceber e vendo algumas pessoas lembrando coisas dos velhos tempos e assim ele deu um ar de riso, enquanto ouvia coisas que pareciam ser dele, mais que ninguém sabia quem ele era. Eu não tive coragem de me apresentar, afinal de contas não sabia de onde ele era, nem se tinha estudado comigo, ele poderia estar só acompanhando alguém, e se ele fosse o namorado de alguma das meninas? Imagina que vergonha eu passaria, pois bem, fiquei na minha. Mas, ele estava me intrigando, era muito tímido, não se enturmava fácil, alguns meninos iam falar com ele, chamar pra jogar, mais ele preferia ficar sentado a sós bebendo sua vodka, ou seja lá o que ele bebia também. Eu prometi a mim mesma que não ia galudar naquela noite, portanto, não dei a mínima para o menino, ou pelo menos demonstrei isso.
Quando fui pegar a câmera de uma amiga na bolsa que estava na mesa, alguém me chamou, e aquele menino ao ouvir meu nome me olhou assustadamente, colocou um braço sobre a mesa, abaixou um pouco a cabeça e me encarou de um jeito como se estivesse esperando alguma coisa, eu olhei pra ele de rabo de olho, enquanto pegava a câmera, quando vi o jeito sedutor(sim, muito sedutor) que ele estava me olhando logo pensei: Hm, garoto estúpido, por ser bonito desse jeito deve estar achando que eu ficaria afim dele e que logo me jogaria em cima, pois então, se é isso que ele pensa se enganou, não vou fazer o que ele quer. Afinal, ele só quer que eu faça isso pra poder falar de mim depois, jogar na cara que me vetou e que eu não passo de uma sirigaita com fogo. Quando terminei meus pensamentos, não aguentei a vontade de perguntar o que que ele queria era grande, mas, só o olhei com uma cara fechada e sai andando para levar a câmera.
Passou a noite toda, ele depois se soltou mais, saiu da mesa, jogou sinuca, ganhou na maioria das vezes, começou a falar de física, meio que se gabando na sinuca por ser inteligente, os meninos ficavam zoando-o, mais ele era muito dane-se e nem grilava, só ria e zoava junto, lembrando da escola. As meninas falaram que o capitão do time, já estava pra chegar, e assim estavam ansiosas para vê-lo. E eu não nego que, também. rs Tiramos fotos, brindamos, rimos, contamos historias e chegou o capitão do time. Logo assim que aquele carrão estacionou o menino misterioso foi em direção, falou com o motorista como se o conhecesse muito bem, disse que depois ligava pra dar notícias sobre o pai e mandou um beijo pra tia(que no caso, era mãe do capitão) eu achei aquilo muito estranho, porque se aquele menino conhecia tanto o capitão e a família dele deve ter estudado com a gente, ou então o capitão virou gay e ele era seu namorado O-O NÃO! isso não, ele não tinha jeito de gay e eu já tinha ouvido falar que o capitão estava namorando uma menina estranha e feinha, como sempre 'psl. Mais então, falando no capitão, pelo amor de Deus, aquilo tava mais pra capitão de fast-food, porque meu amigo te falar, que barriga horrorosa era aquela, cadê o cabelo lindo e liso caindo nos olhos? e o rosto perfeito? agora parecia mais um pão de queijo super recheado e que recheio! haha O menino veio andando e falando com o capitão que agora me fazia sentir o que eu sentia pelo primo, naquele época. PRIMO! Nesse momento lembrei daquele ser super nojentinho que sentava na minha frente quase sempre, estava com tanta saudade daqueles tempos, que por incrível que pareça fiquei com saudade até de ver o pedaço de massa do salgado preso no aparelho dele depois do intervalo.
O capitão falou com todos como sempre, falou comigo eu dei um risinho meio tenso de tipo, cruz credo ein querido, e acho que ele percebeu porque depois disso olhou pra sua blusa como se procurasse algum sujo ou alguma coisa que me fizesse ter olhado tanto pra ela. O menino ficou parado mexendo no celular novamente, e foi aí que meus olhos se encontraram pela primeira vez com os dele, sem pensamentos algum, ao contrário, depois que olhei, pensei. A noite foi rolando e já estava ficando tarde, a mãe da minha amiga tinha marcado de ir nos buscar 11:00 horas, chegou 11:30 mais com certeza esses 30 minutos de atrasado acho que foram os mais bem compensados da minha vida. Enquanto estávamos praticamente só esperando o carro chegar, eu fiquei sozinha por um tempo, olhei meu celular, liguei pra minha mãe e disse que estava tudo bem e que já íamos embora, desliguei o celular e senti que alguém havia sentado na cadeira do meu lado, ficando atrás de mim, porque eu estava sentada de lado.
Olhei rápido imaginando ser algumas das meninas querendo contar alguma fofoca. Me enganei. Ao girar a cabeça ao máximo que pude, dei de cara com aqueles olhos castanhos clariinhos, e um sorriso que me cativou como alguém no passado. Olhei deslumbrada, mais logo acordei e perguntei num tom meio sarcástico: o que você quer? Ele me olhou com um jeito meio sem graça e disse apenas isso: saber se você está indo bem. Eu me virei pra frente, abaixei a cabeça e logo assim virei meu corpo de frente pra mesa: estou bem, muito bem. Mais porque você quer saber disso, nos conhecemos? Ele deu um sorriso, quase declarando um "já sabia" e disse: Eu te conheço, mais não sei se você me conhece, só gostaria de dizer que sinto saudades de te falar o que estava escrito no quadro depois de "prazer Niveane, eu sou o Gustavo e você está linda". Meu corpo parou, meus olhos ficaram mortos nos olhos daquele menino por um breve tempo, eu dei uma abertura de boca, e logo assim pisquei os olhos rapidamente como se estivesse acordado de um sonho, ele viu minha expressão, deu um risinho de lado e perguntou: não vai me dizer nada, vai ficar ai parada? Isso é pra eu sair? se for assim, foi bom te ver de novo. Ele deu uma levantadinha como se fosse sair e eu o segurei pelo pulso, ele me olhou, sentou de novo com uma cara de "e aí, em desenho animado" e eu disse: quenteviu, quentevê.
Ele simplesmente sorriu, me deu um beijo na bochecha e disse que
estava na hora deu ir, porque o carro da minha amiga, tinha chegado
então eu olhei pra trás e ela gritou me chamando, vamos Ni!
Eu o olhei, disse que ele estava incrível, dei um beijo na sua bochecha,
levantei e saí.
Antes de entrar no carro olhei pra onde ele estava e ele me respondeu com
uma piscada de olho, um tchauzinho e um sorriso, um belo sorriso.
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